quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Conto de terça


Terça assisti um documentário sobre Drummond, o famoso poeta brasileiro que amamos. E a noite sonhei com um poema inteirinho escrito por ele, era um poema ainda não escrito, novo,  parecia um soneto, com muitas estrofes e palavras que reluziam nas minhas pupilas, eu me deliciava lendo e pensava em publicar no facebook letra por letra. Sim, meus sonhos são estranhos. Seria genial um poema inspirado pelo autor do Poema das sete faces, enquanto eu sonhava, imaginem. Acontece que hoje cedo, ao acordar, não me lembrei de nenhum verso. Só sei que o poema terminava com a palavra: impermanência. 
Impermanência... a palavra ainda brilha nas minhas retinas não tão fatigadas, que palavra bonita! Eu sei, a poesia completa já habita esse momento que não dura

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Crônica de segunda- feira


Ontem fui ao ortopedista. Da última vez foram duas horas de espera para a consulta de três minutos. Cheguei uma hora antes para garantir o primeiro atendimento e o médico resolveu chegar uma hora depois do seu horário. Dessa vez cheguei dez minutos antes do fim do horário de atendimento e por sorte só havia umas cinco ou seis pessoas além de mim. Três médicos estavam atendendo e logo a sala se esvaziou. Meu médico chamou a moça ao meu lado, e ficamos... só eu e uma família : a mãe, o filho adolescente e uma menina de uns oito anos. Achei que seria rápido, mas dessa vez estava perto de meia hora e nada da moça sair do consultório, maliciosamente imaginei se não seria o fato de a paciente estar usando um microshort e um scarpin rosa ressaltando seus atributos ortopédicos e dela ter cumprimentado o médico com dois beijinhos no rosto antes de entrar, mas descartei o recalque, digo a hipótese. A essa altura já estava disposta a ler com interesse a única revista disponível, uma Nathional Geografic que trazia as 100 descobertas científicas que mudaram a humanidade ou algo do tipo. Me concentrei. Nem vi o momento em que o adolescente e a mãe foram chamados pelo outro médico e que a menininha havia ficado e vindo sentar-se ao meu lado me olhando. De repente escuto: "Moça, você é muito bonita". Fiquei sem graça. Eu disse obrigada e depois de uns minutos meio sem jeito, disse : "você também". A mãe e o irmão saíram e os três se foram, conversando. Fui atendida em seguida, e em dois minutos dessa vez. Perdi a confiança no médico que tentou me vender um tratamento alternativo de sua outra clínica onde atende, mas ganhei o dia no finalzinho da tarde pelo elogio tão inesperado. Pelo jeito, a delicadeza visita mesmo os lugares e momentos mais improváveis.


PS: Atenção auto estima as crianças são sinceras e espontâneas, leva fé no que essa menina disse. :P